Durante uma reunião com gestores da rede estadual de ensino, uma diretora de escola fez um discurso contundente direcionado ao secretário da Educação de São Paulo, Renato Feder. Em sua fala, ela expôs problemas que, segundo relatou, fazem parte da rotina de muitos diretores, professores e demais profissionais da educação.

A gestora abordou temas como o excesso de cobranças por resultados, a padronização das escolas, o uso intensivo de plataformas digitais, a falta de valorização dos profissionais e o aumento da sobrecarga de trabalho. Em diversos momentos, afirmou que a realidade das escolas é muito diferente daquela vivenciada nos gabinetes da Secretaria.

Abaixo, reunimos os principais trechos e as mensagens mais marcantes do pronunciamento da diretora.

Principais falas da diretora

  • “Estamos trabalhando dia após dia com a faca sobre a cabeça.” A diretora afirmou que a pressão constante por resultados tem provocado desgaste emocional, afastamentos e até pedidos de exoneração de profissionais experientes.
  • “Cada escola tem uma realidade diferente.” Segundo ela, não é possível exigir os mesmos indicadores de desempenho de todas as unidades escolares, pois cada comunidade possui características e desafios próprios.
  • “Hoje, encontrar professores é de se chorar.” A gestora destacou a dificuldade para preencher o quadro docente e alertou para a falta de profissionais qualificados na rede estadual.
  • “Precisamos humanizar a educação.” Em um dos momentos mais aplaudidos, ela afirmou que escolas são formadas por pessoas, e não apenas por metas, plataformas e indicadores de desempenho.
  • “A plataforma não pode substituir a criatividade do professor.” Para a diretora, as ferramentas digitais podem ser importantes, mas não devem retirar a autonomia pedagógica nem a autoria do trabalho docente.
  • “Não se pode transformar espaços de convivência em salas para plataformas.” Ela criticou propostas de adequação dos espaços escolares que eliminam áreas destinadas à convivência, criatividade e atividades culturais dos estudantes.
  • “Temos aumento de trabalho, mas não de salário.” A diretora afirmou que os profissionais da educação convivem com uma carga crescente de responsabilidades sem a correspondente valorização salarial.
  • “O senhor está levando excelentes profissionais para a psiquiatria, para os hospitais e para a exoneração.” Em uma das falas mais fortes, ela relacionou a pressão vivida nas escolas ao adoecimento físico e emocional de gestores e professores.
  • “Saia do gabinete e ouça quem está na escola.” A gestora pediu que as decisões da Secretaria sejam construídas a partir da realidade vivida por diretores, professores e estudantes.
  • “A educação não é linear.” Segundo ela, cada aluno, cada escola e cada comunidade possuem necessidades diferentes, tornando inviável a adoção de soluções padronizadas para toda a rede.
  • “Quando abrimos a mochila de um aluno, cada um precisa de uma coisa diferente.” A frase foi utilizada para defender uma educação mais humana, sensível às diferentes realidades sociais dos estudantes.
  • “O senhor precisa me ouvir. Eu sou funcionária pública de carreira.” Encerrando sua fala, a diretora destacou sua experiência na rede estadual e pediu que a Secretaria valorize quem está diariamente dentro das escolas.

O discurso repercutiu entre os participantes da reunião por abordar temas que fazem parte do debate sobre a educação pública paulista, como a sobrecarga de trabalho, a valorização dos profissionais, a autonomia pedagógica, a falta de professores e os impactos da ampliação do uso de plataformas digitais nas escolas.

Abaixo segue a análise de fato feita pelo professor Rogério Ferreira:

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