Ana Teberosky e Teresa Colomer: Aprender a Ler e a Escrever
Resumo dos principais conceitos da proposta construtivista sobre alfabetização, aprendizagem da escrita, mediação docente, ambiente alfabetizador e formação de leitores.
Teberosky e a Psicogênese da Língua Escrita
As contribuições de Ana Teberosky para os estudos da alfabetização constituem importante referência para a compreensão de como as crianças aprendem a ler e escrever.
Em parceria com Emília Ferreiro, Teberosky participou do desenvolvimento dos estudos relacionados à Psicogênese da Língua Escrita. Essa perspectiva alterou profundamente a maneira de compreender o processo de alfabetização.
A concepção tradicional entendia a aprendizagem da escrita principalmente como resultado da memorização de letras, sílabas e palavras e da realização de exercícios repetitivos.
Na perspectiva construtivista, entretanto, a criança não é considerada um sujeito passivo. Ela participa ativamente da construção do conhecimento, formulando e reformulando hipóteses sobre o funcionamento da escrita.
A criança não recebe simplesmente o conhecimento pronto. Ela constrói conhecimentos sobre a escrita por meio de hipóteses, experimentações, interações sociais e reflexões.
A criança como sujeito ativo
Os estudos de Teberosky destacam que as crianças constroem conhecimentos sobre a escrita mesmo antes do início da alfabetização formal.
Ao observar livros, revistas, placas, embalagens, cartazes e outros materiais escritos presentes na sociedade, a criança começa a investigar o funcionamento da linguagem escrita.
Ela observa regularidades, estabelece relações, formula perguntas e produz explicações provisórias sobre aquilo que a escrita representa e sobre como ela funciona.
- A aprendizagem não é puramente mecânica.
- A criança formula hipóteses sobre a escrita.
- Os conhecimentos prévios devem ser considerados.
- O erro pode revelar uma hipótese de aprendizagem.
- A interação social participa da construção do conhecimento.
1 As primeiras experiências com a linguagem escrita
A alfabetização é compreendida como um fenômeno cultural e social que começa antes mesmo da entrada formal da criança na escola.
As crianças que convivem com materiais escritos percebem muito cedo que a escrita está presente em diferentes situações da vida cotidiana. Livros, revistas, jornais, cartazes, embalagens e placas oferecem oportunidades para a observação da cultura escrita.
Nesse processo, os adultos exercem importante papel de mediação. Quando pais, familiares e professores leem histórias, comentam textos, respondem perguntas ou valorizam as produções infantis, ajudam a criança a compreender as funções comunicativas e sociais da escrita.
Leitura em voz alta
A leitura realizada pelo adulto constitui importante experiência para o desenvolvimento da linguagem. O contato com histórias, contos, poemas e outros gêneros amplia o vocabulário e favorece a compreensão das características próprias da linguagem escrita.
2 Construção do conhecimento sobre a escrita
As crianças elaboram progressivamente conhecimentos sobre o funcionamento do sistema de escrita.
Em diferentes momentos desse processo, formulam hipóteses sobre o que a escrita representa, sobre a quantidade de letras empregadas e sobre as relações existentes entre escrita e fala.
O desenvolvimento desses conhecimentos ocorre por meio de experimentações, conflitos cognitivos e reflexão.
Conhecimentos conceituais e procedimentais
Os conhecimentos conceituais relacionam-se à compreensão das características e do funcionamento do sistema de escrita.
Já os conhecimentos procedimentais dizem respeito às estratégias utilizadas pelas crianças quando precisam ler ou produzir uma escrita.
3 Um modelo de ensino da linguagem e da alfabetização
A proposta apresentada pelas autoras fundamenta-se nos princípios construtivistas da aprendizagem.
O ensino deve considerar os conhecimentos prévios das crianças e proporcionar situações que estimulem reflexão, investigação, confronto de ideias e elaboração de novos conhecimentos.
Professor como mediador
Nesse modelo, o professor não se limita à transmissão de conteúdos. Ele assume o papel de mediador da aprendizagem, planejando situações desafiadoras e favorecendo a reflexão dos alunos.
Entre as atividades apresentadas estão:
- produção de listas;
- bilhetes;
- convites;
- histórias coletivas;
- registros de experiências;
- leitura compartilhada;
- exploração de diferentes gêneros textuais.
Essas práticas permitem que os alunos percebam que a escrita possui uma função real e social, superando uma aprendizagem baseada somente na realização de exercícios mecânicos.
4 O ambiente material e social e o papel do professor
O ambiente escolar exerce influência direta sobre as oportunidades que as crianças possuem para interagir com a linguagem escrita.
Um ambiente alfabetizador deve proporcionar contato frequente e significativo com diferentes materiais escritos.
- livros;
- revistas;
- jornais;
- cartazes;
- calendários;
- jogos linguísticos;
- produções realizadas pelos próprios alunos.
Práticas como escrever e reescrever, leitura compartilhada e produção coletiva possibilitam que as crianças analisem o funcionamento da escrita e construam conhecimentos de maneira colaborativa.
5 Livros infantis na sala de aula
Teresa Colomer destaca a literatura infantil como elemento fundamental para a formação dos leitores.
Os livros contribuem para o desenvolvimento da imaginação, criatividade, linguagem e competência leitora.
Mais do que simples instrumentos utilizados para ensinar algum conteúdo, as obras literárias representam oportunidades de acesso à cultura, à arte e às experiências humanas.
A organização da biblioteca da sala de aula deve considerar a diversidade de gêneros, autores, estilos e temas.
Para memorizar para a prova
- Criança: sujeito ativo da aprendizagem.
- Escrita: objeto cultural e social.
- Aprendizagem: construção progressiva de conhecimentos.
- Hipóteses: fazem parte do processo de compreensão da escrita.
- Professor: mediador e organizador de situações de aprendizagem.
- Ambiente alfabetizador: diversidade e presença constante de materiais escritos.
- Atividades: devem possuir significado e função social.
- Literatura: contribui para a formação de leitores autônomos e críticos.
- Erro: pode revelar o modo como a criança está pensando.
- Alfabetização: não se reduz à memorização de letras e sílabas.
Considerações finais
A obra de Ana Teberosky e Teresa Colomer apresenta a alfabetização como um processo complexo e gradual, influenciado pelas experiências sociais, culturais e linguísticas vividas pelas crianças.
Aprender a ler e escrever não significa apenas memorizar letras, sílabas ou palavras. A aprendizagem envolve a construção de significados, elaboração de hipóteses e participação em práticas sociais de linguagem.
Cabe à escola proporcionar ambientes ricos em escrita, oferecer experiências significativas e organizar intervenções que permitam às crianças avançarem em suas formas de compreender a linguagem.
Teste Rápido – Ana Teberosky e Teresa Colomer
De acordo com a perspectiva construtivista apresentada por Ana Teberosky, é correto afirmar que a criança:
A) aprende a escrita principalmente por meio da memorização de letras e sílabas apresentadas pelo professor. B) somente começa a construir conhecimentos sobre a escrita após ingressar formalmente na escola. C) constrói ativamente conhecimentos sobre a escrita, formulando e reorganizando hipóteses ao longo da aprendizagem. D) necessita abandonar seus conhecimentos prévios para assimilar o sistema convencional de escrita. E) aprende a escrever independentemente das interações sociais e culturais.No modelo de ensino defendido por Teberosky e Colomer, o papel principal do professor é:
A) transmitir aos alunos todas as respostas corretas, evitando a formulação de hipóteses inadequadas. B) atuar como mediador, criando situações desafiadoras que favoreçam reflexão e construção de conhecimentos. C) priorizar exclusivamente exercícios de cópia e repetição. D) corrigir imediatamente toda produção infantil que não esteja de acordo com a escrita convencional. E) restringir o contato com textos até que a criança domine completamente o sistema alfabético.Sobre o ambiente alfabetizador e a formação de leitores, assinale a alternativa correta:
A) O ambiente alfabetizador deve restringir os materiais escritos para evitar que a criança tenha contato com textos complexos. B) A literatura infantil deve ser utilizada apenas como instrumento para ensinar conteúdos escolares. C) A diversidade de livros, textos e materiais escritos favorece experiências significativas com a cultura escrita. D) A biblioteca de sala deve possuir apenas textos adequados ao nível de decodificação já alcançado pelos estudantes. E) A formação do leitor acontece independentemente da frequência com que a criança interage com livros e outros textos.1 – C
2 – B
3 – C
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