Nova polêmica na Reforma Administrativa: vínculo estatutário por até 10 anos
Deputado Pedro Paulo adianta proposta da Reforma Administrativa de criar vínculo estatutário por tempo determinado. Entenda!
Os textos da Reforma Administrativa ainda não foram oficialmente apresentados, mas o relator do grupo de trabalho na Câmara dos Deputados, Pedro Paulo (PSD-RJ), já adiantou algumas propostas.
Uma das medidas que mais diverge do Governo Federal é a criação de um novo vínculo estatutário no serviço público por tempo determinado, com duração de até dez anos.
A ideia é que, com exceção das carreiras típicas de Estado, seja permitido fazer contratações por até dez anos, com garantia de estabilidade.
“Se você tiver uma atividade muito específica e ela se acabar, qual o problema de não contratar mais? O gestor continua tendo a opção do concurso tradicional. A gente está só deixando uma possibilidade a mais”, disse Pedro Paulo, na quarta-feira, 3.
De acordo com o deputado, há interpretações de que a proposta poderia acabar com a estabilidade no serviço público.
Em entrevista ao Estadão/Broadcast, ele rechaçou esse argumento, citando contratações públicas para funções que podem se tornar obsoletas em prazos de até dez anos.
“Não vai acabar com a estabilidade, vai garantir a estabilidade pelo reconhecimento, porque existem carreiras que são exclusivas para servidores públicos”, afirmou.
Ainda segundo o relator, esse tipo de contratação já ocorre em casos específicos, como para professores e militares.
A reportagem do Qconcursos Folha Dirigida apurou que o Governo Federal é contra essa proposta, que figura como uma das principais polêmicas envolvendo a Reforma Administrativa.
Tema é abordado em Comissão Geral sobre a Reforma Administrativa
Na quarta-feira, 3, foi realizada no Plenário da Câmara dos Deputados uma Comissão Geral sobre a Reforma Administrativa.
A reunião contou com a participação de parlamentares, membros do Governo Federal, dirigentes sindicais, professores e especialistas.
O deputado federal André Figueiredo, presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público, expressou preocupação com possíveis retrocessos, citando a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 32, protocolada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Uma questão que preocupa todos, de forma uníssona, é a questão de termos servidores estatutários temporários por dez anos. Essa estabilidade de dez anos preocupa todos. Há unanimidade contra”, afirmou Figueiredo, pedindo que o ponto seja retirado da pauta.
O coordenador do grupo de trabalho da Reforma, deputado Pedro Paulo, destacou, durante sua fala na comissão, que a proposta tratará de outros vínculos além do estatutário:
“Existem muitos núcleos de servidores públicos e até de sindicatos que ainda têm o sonho de que todo serviço público tem que ser composto por servidores estatutários. (…) não é assim que acontece na prática. O que a gente vê no Brasil são possibilidades de outros vínculos (…) nós vamos disciplinar, vamos permitir que o governo faça um banco nacional de temporários para que os municípios possam aderir, reduzir custos, mas que o contrato temporário possa ser previsto com o processo eletivo adequado para impedir, por exemplo, nepotismo, apadrinhamento nas contratações temporárias”.
O Fórum das Carreiras de Estado realizou uma Assembleia Geral no dia 19 de agosto, em que a Reforma Administrativa foi debatida. As entidades afiliadas ao Fonacate avaliaram que a proposta seria uma espécie de PEC 32 com “nova embalagem”.
“Deram uma nova roupagem à PEC 32, com o objetivo de angariar apoio popular”, destacou o presidente do Fórum, Rudinei Marques.
Fonte: Qconcursos Folha Dirigida
