Hoje ocorreu a reaplicação da Prova Nacional Docente 2025, destinada aos nove locais onde houve problemas durante a aplicação anterior. Todos os candidatos dessas unidades estavam obrigados a participar da nova avaliação realizada neste 30 de novembro.

Quero comentar especificamente sobre a proposta de redação, que trouxe um tema bem diferente da primeira prova e que gerou insegurança em alguns participantes. Outros já tinham conhecimento dos conceitos envolvidos. A redação deste sábado abordou o tema racismo ambiental, assunto que, embora não seja novo, ainda é pouco explorado — inclusive no ambiente universitário.

O conceito surgiu nos Estados Unidos na década de 1980 e ganhou força no Brasil apenas a partir dos anos 2000, especialmente após desastres ambientais como Mariana, Brumadinho e as recentes enchentes, que reacenderam o debate público sobre desigualdades socioambientais.

Os textos motivadores

A proposta apresentou três textos motivadores, além de uma imagem simbólica:

  1. Texto 1: Trazia um trecho do artigo “Clamor por Justiça Ambiental e contra o Racismo Ambiental” (Herculano, 2008), com cerca de cinco linhas, introduzindo o conceito de justiça socioambiental.
  2. Texto 2: Com três linhas, retomava o tema do racismo ambiental, destacando que ele ocorre quando determinados grupos sofrem, de forma desproporcional, os impactos das consequências ambientais negativas. Logo abaixo havia uma imagem bastante significativa.
  3. A imagem: Uma pirâmide social construída com emojis — os rostos amarelos na parte superior representavam os grupos mais privilegiados, enquanto, na base, surgiam rostos progressivamente mais escuros, indicando as populações pobres e racializadas. Na base também apareciam problemas como enchentes, queimadas, pandemias, invasão territorial, falta de água e rompimento de barragens — consequências atribuídas a atividades econômicas que beneficiam os grupos mais ricos, como agronegócio, pecuária e especulação imobiliária.
  4. Texto 3: Destacava que a injustiça socioambiental ocorre quando comunidades marginalizadas, compostas majoritariamente por grupos étnicos minoritários, sofrem mais com poluição, degradação ambiental e falta de acesso a recursos naturais seguros.

Apesar de não ser um tema simples, uma leitura cuidadosa dos textos e uma interpretação precisa da imagem permitiam ao candidato construir uma argumentação consistente.

A proposta de redação

A comanda para produção do texto pedia a construção de uma dissertação argumentativa, respeitando os direitos humanos, contemplando três pontos obrigatórios:

  1. Explicar como a relação entre justiça socioambiental e desigualdades sociais no Brasil pode ser abordada no contexto escolar.
  2. Dissertar sobre o papel da escola na minimização dos impactos do racismo ambiental e na promoção da justiça socioambiental.
  3. Apresentar pelo menos uma ação concreta a ser incluída no projeto proposto, visando mitigar os impactos do racismo ambiental e contribuir para a justiça socioambiental.

Avaliação geral

Na minha opinião como professor, foi um tema mais complexo do que o da primeira prova — que abordou o idadismo/etarismo, tópico mais presente no debate público e mais familiar aos candidatos. O racismo ambiental, por outro lado, exige repertório mais específico, leitura mais atenta e capacidade de relacionar desigualdades sociais, impactos ambientais e práticas escolares.

Ainda assim, trata-se de um tema extremamente relevante e atual, que merece espaço tanto nas universidades quanto na educação básica.

Seguiremos acompanhando todos os desdobramentos da Prova Nacional Docente 2025.
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