STF decide sobre o recreio: por que isso pode prejudicar os professores?
Há uma decisão recente do STF que confirma que o recreio e os intervalos entre aulas integram a jornada de trabalho dos professores e, portanto, devem ser remunerados. Muitos colegas vêm comentando que isso seria uma vitória. Como professor e profissional da rede pública, quero trazer aqui um contraponto — de forma respeitosa e construtiva — para explicar por que, na minha visão, essa decisão representa uma derrota, e não um avanço para a categoria.
A notícia é a seguinte: o Supremo Tribunal Federal decidiu, no dia 13, que o recreio escolar e os intervalos entre as aulas entram no cálculo da jornada de trabalho docente. A decisão confirma o entendimento do Tribunal Superior do Trabalho. Na ADPF 1058, a Associação Brasileira dos Mantenedores questionava decisões que afirmavam que o professor também está à disposição do empregador nesses intervalos.
O problema é que, em muitos municípios, durante o intervalo dos alunos, o professor tem direito a seus 15 minutos de descanso, e já recebe por esse período. Ou seja, é um intervalo remunerado — e necessário — para que o docente consiga manter sua rotina, especialmente em jornadas intensas.
Ao determinar que o recreio integra a jornada, cria-se uma brecha perigosa: as prefeituras podem argumentar que não precisam mais conceder os 15 minutos de descanso ao professor, porque esse tempo já seria considerado “trabalho”, uma vez que acompanhar os alunos durante a alimentação e os intervalos também seria parte da função pedagógica.
Na prática, abre-se espaço para que gestores adotem o entendimento de que o professor deve ficar com os alunos durante todo o recreio — sem pausa — e que isso já estaria incluído na rotina profissional.
Em cidades como São Paulo, por exemplo, os professores fazem revezamento para garantir seus 15 minutos de lanche. Três turmas estão nos refeitórios; dois professores param, enquanto o outro cobre. Depois, revezam. A rotina funciona — porque há respeito ao descanso do professor.
Com essa decisão do STF, prefeituras podem simplesmente eliminar esse intervalo, argumentando que acompanhar o lanche ou o recreio dos estudantes faz parte da função docente. Ou seja, o que hoje é um intervalo garantido pode acabar se transformando em mais tempo de trabalho sem pausa real.
Por isso, na minha avaliação, essa decisão não é uma vitória para os professores, mas sim um retrocesso que pode afetar diretamente nossa saúde, nossa rotina e nossas condições de trabalho.

Anônimo
Eu acho muito importante os professores participarem do recreio, eles delegam suas responsabilidades a terceiros e chegam ao absurdo de dizer que o que acontece no recreio não lhes dizem respeito
Anônimo
Eu queria entender como que a pessoa da reportagem cita 15 minutos se no meu município e outros ao redor, são 30 minutos. 15, em nossa região é para sexto ao nono. Alguém me explica por favor?
RogerioFerreira
É que na Prefeitura de São Paulo são 15 minutos de descanso, em outros municípios pode ser mais ou nem ter, como é o caso de muitas prefeituras.
Anônimo
Alguns escravizados pensaram a mesma coisa, após a abolição da escravatura.
Anônimo
Vai lá, só tu!
Anônimo
Na Prefeitura de São Bernardo já fazemos isso. Acompanhamos os alunos nas refeições e não temos direito a pausa
Anônimo
Isso é verdade cada gestor interpretará ao seu bel poder
Anônimo
No município que trabalho ficamos no recreio com as crianças não temos descanso
Anônimo
Sim, é um problema. Em Jundiai-SP, há anos isso ocorre. Professores sem tempo nem de ir ao banheiro (!!!), exclusão do cargo que antigamente chamava-se “inspetor de alunos”, Educação Alimentar (não sei o posicionamento do CRN a respeito disso) incluída nas funções obrigatórias do professor…
Iraneide Maria Alexandre
Isso é uma falta de consideração ao profissional da educação,Daqui uns dias não vai haver mais nem um professor em sala de aula
Anônimo
O até isso o STF tá se metendo, juízes estão mesmo sem serviço…
Anônimo
No município de Porto Alegre fazíamos 15 minutos de recreio, mas havia revezamento uma vez por semana de professores que ficavam no recreio junto com as crianças. Essa prática já e comum há muitas escolas Acontece que com o novo PNE plano nacional de educação, que será o 3° plano desde a redemocratização do país, toda a legislação de educação está sendo discutida amplamente porque em 2026 terá de ser lançado o novo PNE, este tema deve fazer parte destas discussões, pois por incrível que pareça ainda corremos o risco de sermos descontadas pelo horário do descanso do recreio e justamente isso os ministros do STF argumentam ser absurdo.