Professores Criticam Avaliação 360º e Cobram Responsabilização da Gestão da Educação Paulista
A manutenção da Avaliação 360º na rede estadual de ensino de São Paulo em 2026 voltou a gerar críticas entre professores da rede pública. Embora a Secretaria da Educação defenda o instrumento como uma ferramenta de acompanhamento do desempenho profissional, diversos educadores questionam os critérios adotados e a forma como a avaliação é aplicada.
Entre as principais manifestações de insatisfação está a percepção de que os profissionais da educação são constantemente avaliados e responsabilizados pelos resultados da rede, enquanto integrantes da alta gestão educacional não passam por mecanismos semelhantes de avaliação pública.
Nos comentários de educadores sobre o tema, surgem questionamentos como: “Por que o governador e o secretário da Educação não são avaliados?” e “Se os professores são avaliados, os gestores que definem as políticas educacionais também deveriam prestar contas de seus resultados”.
Outro ponto frequentemente criticado é a participação dos estudantes na avaliação dos docentes. Alguns profissionais argumentam que alunos mais jovens podem não possuir maturidade suficiente para realizar avaliações que impactem a vida funcional dos professores.
Também há críticas direcionadas à política de uso intensivo de plataformas digitais implementada nos últimos anos pela Secretaria da Educação, sob a gestão do secretário Renato Feder. Parte dos docentes afirma que o aumento das atividades vinculadas às plataformas reduziu a autonomia pedagógica dos professores e ampliou a pressão por resultados e indicadores.
Segundo esses profissionais, a preocupação excessiva com metas e índices educacionais pode acabar gerando um ambiente de cobrança constante nas escolas. Alguns docentes relatam ainda que a rotina de alimentação de sistemas e cumprimento de exigências burocráticas tem consumido tempo que poderia ser dedicado ao planejamento pedagógico e ao atendimento dos estudantes.
Para muitos professores, a discussão vai além da Avaliação 360º. O debate envolve o modelo de gestão educacional adotado pelo Governo de São Paulo, as metas estabelecidas para a rede e o papel dos profissionais da educação na construção das políticas públicas.
Apesar das críticas, a Avaliação 360º continuará sendo aplicada em 2026, conforme previsto pela Secretaria da Educação. O tema, no entanto, segue provocando debates entre os profissionais da rede, especialmente sobre os critérios de avaliação, a valorização docente e a responsabilização dos diferentes atores envolvidos na gestão da educação pública paulista.