BARBOSA, Maria Carmen Silveira. Projetos Pedagógicos na Educação Infantil. Porto Alegre: Grupo A, 2008. Síntese da obra e diretrizes para a prática pedagógica
A luta por uma educação infantil de qualidade e humanizadora é um dos destaques feitos pelas autoras. Outro ponto ressaltado é a defesa da indissociabilidade entre o cuidar e o educar, orientando que as ações escolares precisam se voltar para esta proposta de ensino. A partir dessas considerações, segue a proposta de discussão quanto aos aspectos essenciais que devem ser considerados e revistos para que as ações educativas na educação infantil sejam systematizadas e garantam um processo emancipatório para as crianças.
Aspectos Essenciais das Ações Escolares (0 a 5 anos)
Nas ações escolares entre crianças de 0 a 5 anos de idade, destacam-se três aspectos centrais:
- I) A Rotina: O cotidiano das práticas educativas intencionais.
- II) Espaço Físico: Organização de ambientes seguros e instigantes.
- III) O Brincar: Eixo central do trabalho educativo-pedagógico.
As autoras enfatizam a importância deste trabalho estar orientado por projetos, pois eles interferem positivamente sobre o desenvolvimento infantil.
Estruturação dos Temas Abordados
1. A Rotina no Cotidiano
A rotina deve ser modificada e revista constantemente para transformar as ações cotidianas. Pensar numa organização da rotina que contemple este objetivo significa pensar em estratégias diferenciadas para planejar a recepção e a saída, os momentos de refeição e higiene pessoal, a organização dos espaços físicos, os momentos de parque e de sono, além de todas as atividades que acabam se sedimentando, evitando a ideia de que é “natural” ocorrerem sempre da mesma forma.
A importância da desestabilização e segurança: Devemos possibilitar novas situações que desestabilizem as crianças, levando-as a refletir sobre suas ações, de modo que a rotina esteja vinculada aos objetivos pedagógicos e seja constantemente avaliada. A rotina deve permitir que a criança seja ativa e questionadora. Ela precisa ser desafiadora, mas também representa segurança e previsibilidade, o que tranquiliza os pequenos enquanto os encaminha para as atividades.
2. Organização do Espaço Físico
Ao pensar no espaço para crianças de 0 a 5 anos, é preciso levar em conta toda a gama de necessidades e peculiaridades que envolvem o trabalho na infância. Neste sentido, o espaço físico deve ser acolhedor, desafiador, criativo, instigante e, ao mesmo tempo, seguro.
3. A Presença do Brincar
Pelo brincar, nos primeiros anos de vida, a criança estabelece relações com o mundo e com as pessoas ao seu redor. Ao brincar, tem a possibilidade de representar o mundo real e se apropriar dele, interagindo com outras crianças e adultos, construindo hipóteses, respeitando regras e construindo-se como sujeito.
Há de se considerar que crianças de diferentes classes sociais estabelecem relações diferenciadas com o brincar, ou seja, as brincadeiras variam de acordo com a classe social, o contexto, a cultura, os objetos e os espaços disponíveis. Na instituição de educação infantil, torna-se necessário que os espaços e as atividades estejam direcionados para a valorização do brincar, pois quanto mais ricas forem as experiências oferecidas, mais enriquecido será o brincar (CARNEIRO, 2010).
O Trabalho com Projetos Pedagógicos
Reconhecido como um modo de organizar as práticas, o trabalho por projetos representa uma ação intencional, planejada e com alto valor educativo. Envolve estudo, pesquisa, busca de informações, exercício de crítica, dúvida, argumentação e reflexão coletiva, devendo ser elaborado e executado com as crianças, e não para as crianças.
Barbosa e Horn (2008) indicam diferentes dimensões dos projetos:
- Projetos organizados pela escola para serem realizados com as famílias, crianças e professores;
- O Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola;
- Projetos organizados pelos professores para o trabalho com as crianças;
- Projetos propostos pelas próprias crianças: Acompanhando as necessidades, dúvidas, curiosidades e interesses manifestados pelo grupo.
Os projetos não possuem durabilidade fixa, podendo durar dias, meses ou até um ano, dependendo do envolvimento e do plano de trabalho organizado.
Os 3 Momentos Decisivos de um Projeto
De acordo com Barbosa e Horn (2008), a elaboração e concretização de um projeto pedagógico ocorre em três passos conjuntos entre professores e crianças:
- Definição do Problema: Surge a partir de um fato inusitado e instigante, do relato de um colega ou de uma curiosidade manifestada por uma criança ou pelo grupo.
- Planejamento e Concretização: Levantamento das propostas de trabalho (indicadas pelas crianças e pelo professor) e divisão de tarefas. Responde-se: O que precisa ser feito? Como desenvolver? Como obter os materiais? Inicia-se a coleta e registro de informações em fontes diversas (conversas, passeios, pesquisas, exploração de materiais, etc.).
- Avaliação e Comunicação: Sistematização e reflexão sobre as informações coletadas, envolvendo a documentação pedagógica e a exposição dos “achados” e produções do grupo.
Conclusão: O trabalho com projetos garante a participação ativa dos alunos, pois parte do contexto social e escolar. Exige planejamento prévio para manter o foco nos objetivos e garantir a sequência pedagógica, permitindo que a criança desenvolva de forma contínua suas habilidades linguísticas, motoras e emocionais.