Telma Weisz – O diálogo entre o ensino e a aprendizagem: resumo para concursos
A obra de Telma Weisz apresenta importantes reflexões sobre a relação entre ensino e aprendizagem, o papel do professor, a construção do conhecimento, as situações de aprendizagem, a heterogeneidade das turmas e a interação entre os estudantes.
Um dos pontos fundamentais da autora é compreender que ensino e aprendizagem não constituem um único processo. São processos diferentes, realizados por sujeitos diferentes, mas que precisam estabelecer permanente diálogo.
1. Ensino e aprendizagem são processos diferentes
Telma Weisz questiona a ideia de que exista simplesmente um processo único chamado “ensino-aprendizagem”.
O processo de ensino é desenvolvido pelo professor, enquanto o processo de aprendizagem é desenvolvido pelo aluno.
Isso significa que aquilo que o professor ensina não é necessariamente assimilado pelo estudante exatamente da maneira como foi transmitido.
O ensino deve dialogar com o processo de aprendizagem. Cabe ao professor compreender o caminho que o aluno está percorrendo e organizar intervenções capazes de ajudá-lo a avançar.
Portanto, não é a aprendizagem do estudante que deve simplesmente adaptar-se ao ensino. O professor precisa considerar aquilo que o aluno já sabe, suas hipóteses, suas dificuldades e as possibilidades de avanço.
2. O professor organiza situações de aprendizagem
O professor não deve ser compreendido apenas como alguém que transmite informações. Uma de suas funções fundamentais é organizar situações de aprendizagem.
Essas situações são atividades planejadas e dirigidas para favorecer a ação do aprendiz sobre determinado objeto de conhecimento.
Entretanto, uma atividade não se torna uma boa situação de aprendizagem simplesmente porque foi planejada pelo professor.
Características das boas situações de aprendizagem
Segundo os princípios apresentados na obra, é importante que:
- os alunos coloquem em jogo aquilo que já sabem e pensam sobre o conteúdo;
- tenham problemas a resolver e decisões a tomar;
- a organização da tarefa favoreça a máxima circulação possível de informações;
- o conteúdo preserve suas características de objeto sociocultural real.
3. Colocar em jogo aquilo que o aluno sabe
“Colocar em jogo” os conhecimentos não significa apenas utilizar mecanicamente algo que já foi aprendido.
O aluno precisa mobilizar seus conhecimentos, formular e testar hipóteses, arriscar soluções e enfrentar contradições.
Essas contradições podem aparecer entre suas próprias ideias, entre aquilo que produz e aquilo que os colegas produzem ou entre suas hipóteses e os conhecimentos socialmente estabelecidos.
A escola também deve reconhecer os conhecimentos construídos pelos estudantes fora do ambiente escolar. Eles podem não estar sistematizados ou nem mesmo estar completamente corretos, mas fazem parte do ponto de partida do processo de aprendizagem.
4. Aprender significa enfrentar problemas
Quando Weisz fala em problemas, não se refere exclusivamente aos problemas matemáticos ou a perguntas com respostas predeterminadas.
Na perspectiva construtivista apresentada pela autora, o conhecimento avança quando o aprendiz encontra bons problemas sobre os quais precisa pensar.
Por isso, o professor precisa criar desafios adequados às possibilidades dos alunos.
Se a atividade for fácil demais, não haverá verdadeiro desafio.
Se for impossível naquele momento, também não produzirá o desafio desejado.
Uma boa situação deve apresentar dificuldades possíveis de serem enfrentadas.
5. Aprendizagem não significa ausência de esforço
Uma proposta significativa não significa transformar a escola em um espaço no qual todas as atividades precisam ser divertidas ou fáceis.
Aprender exige esforço e investimento. A questão é que o estudante precisa compreender o sentido daquilo que está fazendo e ter objetivos de realização.
A autora utiliza a produção textual como exemplo. Existe uma diferença importante entre escrever simplesmente para o professor corrigir e escrever um texto para que alguém efetivamente o leia.
No segundo caso, a escrita mantém uma finalidade comunicativa real. Até mesmo a revisão ganha outro significado: corrigir o texto torna-se necessário para torná-lo mais compreensível ao leitor.
6. A máxima circulação de informações
Outro princípio fundamental é organizar a classe de maneira que exista máxima circulação de informação.
Informação não vem exclusivamente do professor. Ela pode surgir:
- dos livros e demais materiais;
- das intervenções do professor;
- das perguntas;
- das dúvidas e dificuldades;
- da observação das estratégias utilizadas pelos colegas;
- do próprio objeto de conhecimento.
Nesse modelo, o professor precisa abandonar a posição de único informante da sala. Ele passa a atuar também como planejador das intervenções e das condições que favorecem a aprendizagem.
7. O erro e a perspectiva construtivista
Impedir constantemente que os estudantes tenham contato com hipóteses ou respostas incorretas está relacionado a uma concepção empirista segundo a qual o erro poderia simplesmente ser fixado na memória.
Na perspectiva construtivista discutida por Weisz, a troca de informações permite que os estudantes exponham suas hipóteses, comparem procedimentos, argumentem e reorganizem seus conhecimentos.
Portanto, o erro não deve simplesmente ser evitado. Ele pode oferecer informações importantes sobre como o estudante está pensando.
8. Interação, cooperação e aprendizagem
A interação entre os estudantes não possui apenas uma função de socialização. Ela também possui valor cognitivo.
Quando um aluno precisa explicar sua maneira de pensar, justificar uma resposta, discordar de um colega ou defender determinado ponto de vista, precisa organizar seu próprio pensamento.
A argumentação e a comunicação das ideias podem, portanto, favorecer a aprendizagem.
O professor tem papel decisivo na construção desse ambiente. Uma sala baseada em cooperação e respeito intelectual tende a favorecer relações igualmente respeitosas entre os estudantes.
9. O conhecimento como objeto sociocultural real
Weisz critica práticas escolares que descaracterizam excessivamente os objetos de conhecimento na tentativa de facilitar a aprendizagem.
A escrita, a leitura, a matemática e os demais conhecimentos possuem funções e usos sociais. Quando entram na escola, inevitavelmente passam por adaptações didáticas, mas essas adaptações não deveriam eliminar suas características essenciais.
Um exemplo é a tradicional redação produzida exclusivamente para ser corrigida pelo professor. Essa situação se distancia do uso social da escrita, em que normalmente se escreve para comunicar alguma coisa a determinado leitor.
10. Heterogeneidade da sala de aula
A obra também apresenta uma importante reflexão sobre as turmas heterogêneas.
A diferença entre os níveis de conhecimento dos estudantes não precisa ser vista exclusivamente como um problema. Quando bem aproveitada pedagogicamente, pode favorecer a aprendizagem.
Isso exige que o professor conheça seus alunos, seus diferentes níveis de conhecimento e organize agrupamentos de acordo com os objetivos didáticos.
Possibilidades de organização
- todos realizam a mesma proposta, individualmente ou em grupo;
- os alunos utilizam a mesma proposta ou material, mas realizam tarefas diferentes;
- diferentes grupos realizam atividades específicas de acordo com suas necessidades de aprendizagem.
O agrupamento, portanto, não deve ocorrer aleatoriamente. Seu critério depende do conteúdo, dos conhecimentos dos estudantes e dos objetivos que o professor pretende alcançar.
11. Intervenção problematizadora do professor
O professor precisa observar o que os alunos sabem e propor intervenções capazes de provocar reflexão.
Em turmas heterogêneas, o desafio consiste em dificultar aquilo que está fácil demais e criar condições para tornar possível aquilo que ainda está excessivamente difícil.
Nesse processo, dois instrumentos ganham especial importância: os agrupamentos produtivos e a intervenção problematizadora do professor.
12. O professor também aprende a ensinar
A prática docente apresentada na obra não aparece como aplicação mecânica de receitas. Planejar, observar os resultados, discutir com outros professores, estudar e rever as próprias intervenções fazem parte do trabalho profissional.
O professor precisa constantemente analisar a relação entre aquilo que propõe e aquilo que os alunos efetivamente conseguem aprender.
Resumo dos pontos essenciais para concursos
2. O sujeito do ensino é o professor; o sujeito da aprendizagem é o aluno.
3. O ensino deve dialogar com o processo de aprendizagem.
4. O professor deve partir dos conhecimentos e hipóteses dos estudantes para organizar intervenções.
5. Boas situações de aprendizagem fazem os alunos colocarem seus conhecimentos em jogo.
6. O aluno precisa enfrentar problemas e tomar decisões.
7. O desafio adequado situa-se entre aquilo que é fácil demais e aquilo que é impossível naquele momento.
8. A sala deve favorecer a máxima circulação possível de informações.
9. O professor não é o único informante da classe.
10. A interação e a argumentação entre os alunos podem produzir aprendizagem.
11. Os conteúdos escolares devem preservar suas características de objetos socioculturais reais.
12. A heterogeneidade pode ser pedagogicamente produtiva.
13. Os agrupamentos devem ser definidos segundo objetivos didáticos e conhecimentos dos estudantes.
14. A intervenção do professor deve ser problematizadora.
15. A escola deve aproximar o conhecimento escolar das práticas sociais, construindo pontes entre o que se aprende e o que se vive.
Teste – Telma Weisz
De acordo com Telma Weisz, a relação entre ensino e aprendizagem deve ser compreendida como:
Para Telma Weisz, uma boa situação de aprendizagem deve:
Na concepção apresentada por Weisz, o desafio proposto ao aluno deve:
A respeito da circulação de informações em sala de aula, assinale a alternativa coerente com as ideias apresentadas por Telma Weisz.
Sobre a heterogeneidade das turmas, a perspectiva apresentada na obra permite afirmar que:
Gabarito comentado
Conclusão
Em O diálogo entre o ensino e a aprendizagem, Telma Weisz desloca o foco de uma concepção centrada simplesmente na transmissão de conteúdos para uma prática pedagógica que considera como o aluno pensa e aprende.
O professor continua ocupando posição fundamental, mas seu papel não se resume a transmitir respostas. Ele precisa conhecer os saberes dos estudantes, planejar situações desafiadoras, favorecer a circulação de informações, organizar agrupamentos produtivos e realizar intervenções que permitam ao aluno avançar.
Nesse sentido, ensinar significa estabelecer um verdadeiro diálogo com o processo de aprendizagem.