Governo de SP vai implementar Ponto Eletrônico para Professores em 2027
O governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, juntamente com o secretário de Educação, Renato Feder, planejam implementar o ponto eletrônico para os professores da rede pública a partir de janeiro de 2027. No entanto, a aplicação dessa medida na rotina docente é extremamente inviável. A realidade do magistério envolve acúmulos de cargos e horários complexos, o que torna o controle rígido de entrada e saída algo burocrático e problemático — sem contar a gestão de eventuais faltas-aula, que se tornará ainda mais complicada.
Inicialmente, conforme a Resolução nº 70/2026, o ponto eletrônico funcionará por meio de uma plataforma digital, acessada pelo próprio celular do docente. O problema já começa aí: o sistema deve seguir os moldes da Secretaria Escolar Digital (SED), uma plataforma que historicamente apresenta inúmeras falhas e instabilidades. Lançar uma ferramenta desse porte em uma estrutura similar já antecipa que o processo será marcado por erros técnicos.
Mais do que uma falha de planejamento, essa transição digital parece uma jogada estratégica da Secretaria da Educação (SEDUC-SP). Ao impor um sistema via aplicativo — que fatalmente apresentará instabilidades e obrigará o professor a gastar seus próprios dados móveis e bateria para trabalhar —, o governo cria um cenário de caos. Posteriormente, o próprio Estado poderá usar esses erros da plataforma digital como justificativa para implementar o ponto eletrônico físico nas escolas. Se o modelo digital já é ruim, o físico será ainda pior para a dinâmica escolar.
Atualmente, o controle nas escolas estaduais funciona de forma manual, onde o docente assina sua entrada e saída no livro de ponto. Substituir isso por um sistema digital problemático e, futuramente, por um relógio de ponto físico demonstra um desconhecimento da rotina escolar. No fim, a medida caminha para ser um retrocesso que dificilmente trará resultados positivos para a educação paulista.