Escolas terão férias na Copa Feminina 2027; entenda a mudança
Quando o Brasil sediou a Copa do Mundo masculina de 2014, escolas, empresas e órgãos públicos adaptaram suas rotinas para acompanhar o maior evento do futebol mundial. Agora, a história se repete, mas com um marco importante: pela primeira vez, o país receberá a Copa do Mundo Feminina da FIFA, em 2027.
Se o futebol masculino sempre mobilizou mudanças no calendário nacional, por que não dar a mesma importância ao futebol feminino, ainda mais em um evento histórico realizado em território brasileiro? Foi com essa perspectiva que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, em 1º de junho de 2026, a Lei nº 15.421, que estabelece uma série de medidas para a organização do torneio, incluindo mudanças que afetam diretamente as escolas brasileiras.
Férias escolares deverão coincidir com a Copa do Mundo Feminina
O ponto que mais chama a atenção para a área da educação está no artigo 67 da nova legislação. O texto determina que os sistemas de ensino, públicos e privados, ajustem o calendário letivo de 2027 para que as férias do primeiro semestre abranjam todo o período entre a abertura e o encerramento da Copa do Mundo Feminina da FIFA.
Na prática, as redes de ensino terão que reorganizar o ano letivo para evitar que as aulas coincidam com a competição, medida semelhante à adotada em grandes eventos esportivos realizados anteriormente no país.
“Os sistemas de ensino deverão ajustar os calendários escolares de forma que as férias escolares decorrentes do encerramento das atividades letivas do primeiro semestre de 2027 (…) abranjam todo o período entre a abertura e o encerramento da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027.” (Art. 67 da Lei nº 15.421/2026)
Embora a FIFA ainda não tenha divulgado oficialmente as datas de abertura e encerramento da competição, a obrigação legal já está em vigor. Assim, secretarias estaduais e municipais de educação e escolas particulares precisarão considerar essa determinação no planejamento do calendário escolar.
Feriado nacional nos dias de jogos da Seleção Brasileira
A lei também prevê outra possibilidade que poderá impactar diretamente a rotina das escolas.
De acordo com o artigo 66, a União poderá decretar feriado nacional nos dias em que a Seleção Brasileira disputar partidas durante a Copa do Mundo Feminina. Além disso, estados, Distrito Federal e municípios que receberem jogos ou eventos oficiais poderão instituir feriados locais ou ponto facultativo, por meio de decreto.
A medida lembra o que ocorreu em Copas anteriores, quando diversas cidades interromperam suas atividades para acompanhar os jogos da seleção.
Valorização do futebol feminino e igualdade de oportunidades
Mais do que organizar um grande evento esportivo, a legislação também estabelece objetivos voltados à promoção da igualdade de gênero no esporte.
Entre os princípios previstos no artigo 2º estão:
- promoção da igualdade de oportunidades entre homens e mulheres no esporte;
- incentivo à participação de meninas e mulheres na prática esportiva;
- estímulo à atuação feminina na arbitragem e na gestão do futebol;
- combate à discriminação e promoção da igualdade racial.
Esses temas podem, inclusive, servir de base para projetos pedagógicos, debates e atividades nas escolas durante o ano da Copa.
Reconhecimento às pioneiras do futebol feminino brasileiro
A lei também presta homenagem a uma geração que ajudou a construir a história do futebol feminino no Brasil.
O Capítulo VIII autoriza o pagamento de um prêmio único de R$ 500 mil para cada jogadora — titular ou reserva — da Seleção Brasileira que conquistou a medalha de bronze no FIFA Women’s Invitation Tournament de 1988 e que participou da primeira edição oficial da Copa do Mundo Feminina, realizada em 1991, na China.
Caso a atleta tenha falecido, o valor poderá ser destinado aos seus sucessores legais, conforme determinação judicial.
O reconhecimento busca reparar, ainda que tardiamente, a trajetória de mulheres que representaram o Brasil em uma época em que o futebol feminino enfrentava inúmeras barreiras e pouca valorização.
Um momento histórico para o esporte brasileiro
A realização da Copa do Mundo Feminina de 2027 representa um momento histórico para o Brasil. Assim como ocorreu com o Mundial masculino de 2014, o país volta a adaptar sua rotina para receber uma Copa do Mundo. A diferença é que, desta vez, a oportunidade também simboliza um importante avanço na valorização do futebol feminino, ampliando sua visibilidade e incentivando novas gerações de atletas.
Para a educação, a nova legislação significa que o planejamento do calendário escolar de 2027 deverá começar considerando um fator inédito: as férias do primeiro semestre precisarão coincidir com o maior evento do futebol feminino mundial, que será realizado em solo brasileiro.