A recém-publicada Resolução nº 158/2025, da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, altera profundamente as regras do Programa de Ensino Integral (PEI) e acende um sinal de alerta entre os profissionais da rede. As mudanças atingem diretamente os critérios de credenciamento, permanência, transferência e até a continuidade do vínculo de professores contratados e efetivos.

No Estado de São Paulo, as unidades classificadas como PEI funcionam em tempo integral. Professores lotados nessas escolas recebem uma gratificação pela atuação. Com a nova resolução, no entanto, o acesso e a permanência no programa se tornam mais restritivos e, em alguns casos, punitivos.

Credenciamento passa a depender de critérios subjetivos

Antes balizado por pontuação e classificação objetiva, o credenciamento agora depende do que a resolução define como “compatibilidade de perfil com as necessidades da unidade escolar”. O artigo 3º abre espaço para interpretações amplas, enquanto o artigo 5º dá ao diretor a prerrogativa de validar os docentes aptos a atuar no PEI. A mudança substitui critérios transparentes por avaliações subjetivas, tornando o ingresso no programa dependente da percepção individual da gestão escolar.

Indicação de não permanência gera punições severas

A resolução cria um sistema de não permanência, previsto no artigo 7º. Uma única indicação da equipe gestora é suficiente para que o docente seja removido da unidade, iniciando um ciclo de punições graduais. De acordo com o artigo 8º, a primeira indicação gera realocação obrigatória e impede o retorno à escola por dois anos. A segunda indicação, caso ocorra dentro de cinco anos, resulta em exclusão do programa e afastamento por três anos. Uma avaliação negativa, ainda que subjetiva, pode afastar um profissional de sua comunidade escolar por longo período.

Cessação impede retorno ao PEI por três anos

O artigo 25 estabelece que, ao ter sua participação cessada, o professor fica impedido de retornar ao PEI no ano da cessação e nos dois seguintes. Na prática, isso representa três anos completos fora do programa e sem gratificação, com impacto financeiro significativo na renda das famílias.

Transferência fica restrita e depende de anuência da direção

A transferência entre escolas também se torna mais difícil. O artigo 16 determina que o docente só pode participar do processo mediante apresentação de uma declaração de anuência emitida pelo diretor da escola de origem. O parágrafo 2º impede a emissão dessa declaração para professores com indicação de não permanência, o que inviabiliza a mudança de ambiente para quem mais necessita. Nesses casos, restam apenas a remoção compulsória ou o desligamento do programa.

Contratados são os mais impactados

A resolução estabelece tratamento diferente entre professores efetivos e docentes contratados. Segundo o artigo 9º, enquanto efetivos são realocados após uma indicação de não permanência, contratados podem ter a designação cessada e o contrato extinto imediatamente. O resultado é a criação de dois regimes distintos dentro do PEI: um que pune com transferência e outro que pune com desemprego.

Um cenário de instabilidade e insegurança profissional

A Resolução nº 158/2025 inaugura um modelo de gestão baseado na concentração de poder nas mãos das direções escolares, na ampliação da subjetividade e na imposição de punições prolongadas. Entre os principais pontos de preocupação levantados por especialistas e docentes estão a falta de transparência no credenciamento, o bloqueio de três anos para retorno ao programa, as barreiras à transferência e o tratamento desigual entre categorias. Para muitos profissionais, a norma representa um ambiente de instabilidade permanente e aumento da vulnerabilidade nas relações de trabalho.

    • Minha resposta para esses ditadores vai ser nas urnas, nas eleições o que eu puder fazer para tirar esses ditadores de regras que ficam em suas mesas sem saber o que está acontecendo dentro de uma escola, onde os professores trabalham que nem condenados dentro de uma PEI serviço escravo, sem material, muitas vezes tirei do meu bolso pra comprar material pra poder desenvolver um bom trabalho. Espero que o governo olhe mais por esses professores e não entregue a cabeça dos professores nas mãos de pessoas que não estão preocupados com os professores e sim com seus próprios bolso… leis justas esse seria um bom governo.

  1. Sou professor há 30 anos, sempre trabalhei com responsabilidade e compromisso com minha função de professor, na escola atual estou há 14 anos e também moro no mesmo bairro da escola, esse ano apareceu diretor novo e com uma gestão nova, fui julgado por critérios subjetivos e de forma ignorante na qual me deu farol vermelho e foi dito que devo ser realocado.

  2. Tudo para privatizar…..primeiro implantaram o terror, obtiveram a submissão, depois a divisão de classe, jogando direção contra professores, professores com professores , diretores e dirigentes, alunos contra professores, destruído o bom convívio do ambiente da educação, todos magoados, pressionados, inimizades , educadores doentes psíquico e físicos agora o massacre e depois o extermínio….professores com medo e estragados não se mobilizam para luta…. é tudo que Feder ” a hiena” como é conhecido nos meios da educação e Tarcísio de Freitas buscam insistentemente….com ódio permanente contra os profissionais da educação

    • A ideia é continuar com o desmonte na educação paulista e implantar esse modelo no restante do país já que o demônio quer ser presidente.Precisamos nos conscientizar que a educação é a única arma que temos contra esse sistema injusto, desigual,preconceituoso e massacrante.Que possamos.nos livrar dessas pragas em 2026 através do voto consciente e aniquilando esses nazistas que infelizmente,muitos professores,ajudaram a eleger.

  3. O que observamos nesse governo, como em todo o seu projeto como governador de São Paulo, privatizar tudo. Ele já concretizou esse propósito com muitas instituições públicas, no caso a educação tem sido mais trabalhosa e complexa, porém aos poucos ele vai chegando lá. Vejam que ele não trabalha em prol de um progresso, uma crescente no aprendizado. Porque nada se vê nesse sentido em favor do aluno. Logo o propósito é acabar com o magistério. Transformar as salas de aulas em plataformas, acabando com o cargo de professor. Porque para o esse tipo de governo tudo que é público é gasto desnecessário. Eles querem colocar o dinheiro público dentro de empresas e dos seus respectivos empresários.

  4. Pior governo de todos os tempos. Supra sumo da incompetência. Certamente o único objetivo desse governo é o de tentar privatizar e passa
    r os recursos da educação para iniciativa privada, simples assim. Em hipótese alguma um governo que tem atitude que esse vem tendo nos últimos anos, tem qualquer preocupação com a educação da população.

  5. Uma bagunça! O importante é convencer que o público não funciona. Sempre a mesma coisa no intuito de privatizar e entregar recursos públicos aos amigos do setor privado. Qualidade? Agora é traduzida como fazer provas e colocar o “x” no quadradinho certo. Desenvolver habilidades é trabalhar um tanto considerável de questões objetivas até que o aluno decore as respostas ainda que nada saiba sobre os conceitos científicos envolvidos. É a produção institucional da ignorância. Antes, ao menos, a escola era o lugar do combate ao vazio cognitivo. Agora, ela é que o fomenta! Parabéns governador Tarcisio, secretário da educação e principalmente, aqueles que se acomodam na imunidade ao aprendizado, eleitores dessa corja.

  6. Temos que analisar com cuidado essa questão, pois se o governo estadual cessasse a prática de trabalhar de forma dual, através de projetos que privilegiam algumas escolas em detrimento de outras, retornar para a escola de origem, nao serianem punição e nem sequer uma realidade, uma vez que TODOS receberiam igual tratamento. Mas essa prática de trabalhar de forma desigual as escolas e os professores da rede pública, que já vem de décadas, serve apenas pra isso mesmo: dividir, gerar competição, favorecer o clientelismo e outras coisas a mais. Sinto muito quando vejo a pouquíssima mobilização dos professores da Rede Estadual de São Paulo, que muito reclamam, mas poucos enfrentam verdadeiramente e de forma unida e articulada o trator da destruição do Ensino Público.

  7. Que Deus tenha misericórdia de nós profissionais da educação, que estudamos anos para passar por essa situação, com esse desgoverno que usa o nome do Senhor para destruir família porque nos também temos família

  8. Infelizmente isso é Brasil,não podemos esquecer que tem uma categoria que mal se fala, que são os agentes educadores que muitos falam auxiliares de creche, muitos graduados e pós graduados poderiam ser reconhecidos ao invés de terceirizar,deveriam repensar quem já está em sala de sala a anos vindo de baixo com muito mais tempo de proficionslismo.

  9. Me aposentei depois de 31 anos de escola. Com muita tristeza e angústia por presenciar minha classe de professor sendo submetida as mais cruéis implantações e decisões de um secretário e governador que pouco conhecem nossa realidade. Além de receber 80% do salário, convivo com colegas professores doentes e exaustos por não terem mais autonomia e tampouco reconhecimento. Espero tão somente que nossa categoria de professor saiba responder corretamente nas urnas através do voto e dar um basta a esses dirigentes que nunca nos respeitaram.

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